Esta tarde eu comi morangos que plantei na minha varanda

Ano passado, quando me mudei pro interior do Paraná, resolvi comprar umas mudinhas de morangos. Já que era pra morar nessa lasqueira de frio, que eu aproveitasse as coisas boas que esse clima permite.

A tentiva de cultivar morangos, no entanto, foi um fracassão. Minhas mudinhas saiam uma folha, e em seguida alguma antiga morria. Depois foram parando de nascer novas folhas enquanto as vivas insistiam em continuar morrendo, até que o morangueiro desapareceu. Nunca vi nem flor.

Nesse novo inverno, no entanto, não me deixei desanimar pela experiência de fracasso do ano passado.

Tava tão corajosa que comprei 6 mudas ao invés das 3 do primeiro ano. E ó, tão aí os morangos. Comi hoje a tarde uma meia dúzia, e os pés continuam cheio de frutas verdes, pra me divertir nas próximas semanas.

Seis mudas distribuídas nesses quatro vasos: duas em cada um dos vasos maiores, e um em cada vaso de xícara.
 
Os morangueiros crescendo: as mudas recém plantadas, as primeiras folhas, depois as flores, e quando as pétalas da flor caem, os miolinhos amarelos vão esverdeando e se transformando em morangos (dá pra ver o primeiro morango na última foto)

Cuidar de plantas não tem nada daquela lenda do “dedo verde”. Tem muito mais a ver com estar a fim de fazer isso. Ter “dedo verde” nada mais é do que a gente ter um pouquinho de experiência de cultivar plantas. “Dedo verde”, eu acho, devia ser encarado só como um outro jeito de dizer hábito.

Por isso que o 1 ano que separam as duas experiências fizeram diferença. O hábito me ajudou a “escutar” melhor minhas plantas. Foi só ter presença, olhar bem de perto todo dia, e seguir cuidando. Foi fácil principalmente porque era uma coisa que eu estava com muita vontade de fazer.

Também foi importante ter noção que muita planta vai morrer nesse meio do caminho. Sério, não é culpa sua, nem é coisa minha. Se você tiver a oportunidade de conversar com alguém que planta pra viver vai ouvir isso: faz parte. Mesmo com toda experiência, plantar é cuidar de vida. E a vida está sempre sujeita às coisas imprevisíveis que acontecem no mundo.

Também é legal ter noção que cada planta que você aprende a cuidar se potencializa na possibilidade de cuidar de outras plantas mais difíceis. Cada manjericão que sobreviveu aumentou minha chance de dar conta desses morangos. E eles tão aí pra mostrar que pode dar certo.

Mas valeu a pena. Ver esse aprendizado florescendo junto com os morangos avermelhando é muito gratificante. Comi com gosto.

No final, o melhor de tudo nem foi comer os morangos. Foi transformar minha relação com o processo.

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