Temporada da laranja: uma torta gelada com uva do japão

Estou muito animada por aqui com a temporada das laranjas, que dura quase todo o inverno mas já está chegando no fim. Aproveitei pra mostrar no meu twitter como fazer casquinhas de laranjas – aquelas glaçadas no açúcar, que são maravilhosas pra comer junto com um cafezinho no meio das tarde frias. E no instagram mostrei nos stories como se fazia uma torta de laranjas com castanha de caju e uva do japão, mas sem dar as quantidades direitinho porque ainda estava experimentando e precisava ter certeza antes de falar.

Conheci essa torta na casa da minha cunhada, que é entusiasta da culinária viva – a que prioriza os alimentos “vivos”, portanto, crus. Não é exatamente a minha praia, mas admiro muitas das coisas que esse pessoal cria e incorporei muitas coisas na minha rotina (fazer brotos, por exemplo, é uma coisa muito frequente nesse tipo de dieta e acho o processo e o gosto uma coisa incrível).

O caso é que em muitas receitas doces da culinária viva se usam tâmaras pra poder adoçar. E na primeira vez que provei uva japonesa, “tâmara” foi o primeiro sabor semelhante que me veio (ela também lembra um pouco uvas passas). Então me ocorreu fazer uma torta viva de laranja que aprendi com minha cunhada e adaptar a receita pra usar as uvas do japão no lugar de tâmaras.

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Uvas do japão em três momentos: no galho; só as bolinhas (sementes); e as frutinhas limpas, pronta pra usar em receitas

As uvas do japão, também chamadas de pau doce, são frutinhas típicas de quintal. É praticamente impossível encontrar pra comprar, mas muita gente conhece e tem memórias afetivas com ela nos quintais da infância. Ela é uma árvore muito alta, que perde as folhas no inverno, enquanto os galhos com cachos de pequenas frutinhas marrom-escuro em forma de “T” aparecem.

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O marido colhendo galhos de uvas japonesas enquanto eu fotografo

Como as árvores são altas, nem sempre é fácil colher as frutinhas. O que se recomenda é catar as pencas que estão caídas em árvores menores do lado ou mesmo no chão – não só porque é mais fácil de colher, mas também porque essas são as maduras, as que estão no ponto ideal. É preciso olhar com cuidado, porque muitas delas começam a fermentar por estarem no chão, você sente pelo cheiro azedinho. É meio estranho essa forma de colheita, mas acredite, encontrar as frutas certas é perfeitamente possível.

 

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Essas árvores ao fundo são todas de uva do japão. Repare como são gigantes comparadas aos caminhões que carregam areia (não se esqueça de ver o céu azul de inverno <3)

COMO USAR AS UVAS DO JAPÃO: Depois de colher os galhos com as pencas de frutinhas, é preciso “preparar” as uvas do japão pra usar nas receitas. Cada frutinha em formato de T tem duas pequenas bolinhas na ponta. Elas são as sementes, e não são comestíveis. Você tem que retirar cada uma dessas bolinhas. Depois, leve as uvas do japão para serem lavadas. Depois disso, se você não for usar as frutinhas na hora, você pode deixar elas secando em um tabuleiro bem aberto antes de armazenar num pote fechado.

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Meus dedos estão segurando uma das bolinhas que devemos arrancar antes de usar as uvas do japão

 

Bom, então deixa eu explicar como fiz a torta gelada:

TORTA GELADA DE LARANJA, CASTANHA DE CAJU E UVAS DO JAPÃO

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PRIMEIRA CAMADA (“crust” – essa é uma base tradicional na culinária viva que adaptei para as uvas do japão)

3/4 de copo de castanha de caju natural (sem torrar)
1 colher de sopa de óleo de coco
1 colher de café de extrato de baunilha (você pode fazer caseiro aproveitando uma fava de baunilha usada e deixando ela de molho no conhaque por 30 dias)
1 copo de uvas do japão
1 pitada de sal

Bata todos os ingredientes no processador, até que se transforme em uma massa. Disponha em uma forma spring (aquelas que soltam o fundo) de tamanho pequeno – o ideal para essa quantidade é usar uma forma de 16cm de diâmetro (dobre a receita para formas grandes, de 25cm, que são mais comuns). Deixe a forma no congelador por pelo menos duas horas.

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Primeira camada da torta colocada na forma, pronta pra levar ao congelador

SEGUNDA CAMADA

1 copo de castanha de caju natural (sem torrar)
3/4 de copo de suco de laranja

1/2 copo de uvas do japão

Deixe as castanhas de molho na água por 3 a 4h. Escorra e coloque no processador junto com os outros ingredientes. Coloque SOMENTE METADE dessa mistura na forma e leve ao congelador por pelo menos 1h novamente. O restante, reserve.

TERCEIRA CAMADA

Pegue a metade restante que ficou no processador e acrescente 3 colheres de chá de cacau em pó. Bata no processador pra incorporar bem. Coloque na forma e leve para o congelador por pelo menos 1h.

Antes de servir, deixe a forma descongelar por cerca de 15 minutos. Fica uma torta gelada bem firme, quase lembra um sorvete (só não é cremosa). Se quiser pode decorar com rodelas de laranja.

 

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