O estranho caso da pimenta rosa

Se você parar pra prestar atenção nas árvores da sua cidade entre novembro e janeiro é muito provável que encontre alguma árvore que lembra muito uma chorona, e ela estará carregada de cachos de bolinhas vermelhas bem miúdas. É uma árvore muito comum usada na arborização urbana, mas pouca gente sabe identificar: essas árvores são as aroeiras e as tais bolinhas pimentas rosas.

Essa árvore que se parece uma chorona não é a única espécie de aroeira, mas é a mais comum na região onde moro. Ela tem o nome de Schinus molle, e as pimentas são mais pálidas, clarinhas e de sabor mais doce que as vermelhas que são vendidas em casas de especiarias. São várias as espécies que produzem a pimenta mais avermelhada,e por isso a gente encontra elas pelo país inteiro: cada espécie se adapta a um clima e por isso elas estão em toda parte.

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Uma aroeira Schinus molle pela minha cidade
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Eu colhendo pimenta rosa na aroeira do tipo Schinus Molle que encontrei

A pimenta rosa é um caso curiosíssimo. Ela é um tempero nativo da América do sul, muito usado na arborização urbana brasileira de norte a sul do país, mas quase toda pimenta rosa que a gente consome é importada. E custa uma fortuna (em dez/2017, era algo em torno de 120reais/kg). É muito pouco compreensível porque não se tem um cultivo local voltado pro consumo interno ou até mesmo porque não pegamos nas árvores das nossas cidades. Tornar a pimenta rosa mais acessível seria um ótimo caminho pra gente começar a fazer mais uso dela.

As aroeiras e seus frutinhos comestíveis estão aos montes à nossa volta, pra quem sabe ler a paisagem verde.

Procurar aroeiras pelo espaço urbano é um exercício muito interessante de se perceber mais conectado com a cidade, a vegetação, a vida à sua volta. Desde que aprendi a identificar a aroeira, vejo ela em todo lugar. Me pergunto como eu nunca tinha reparado nessas árvores antes.

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Outra espécie de aroeira e as inconfundíveis pimenta rosas: esfregue uma bolinha na mão e sinta o cheiro!

O sabor da pimenta rosa é doce e aromático. Apesar do nome “pimenta” ela não arde. Vai bem com pratos doces (chocolate e pimenta rosa é uma combinação sem erro; colocar pimenta rosa no brigadeiro branco então…) e também com pratos salgados. Pra usar as pimentas rosas, o melhor a se fazer é socar as bolinhas em um pilão, ou mesmo bater com martelo ou outro instrumento de cozinha as bolinhas enroladas em um pano de prato sobre a tábua de corte. A ideia é esfarelar em pedacinhos pequenos pra que o sabor não fique muito concentrado.

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Um bom jeito de usar as pimentas é socar no pilão antes de acrescentar nas receitas

Pra quem estiver curioso pra experimentar e ainda não sabe muito bem o que fazer com o tempero, a sugestão do dia é uma salada refrescante e saborosa, no qual a pimenta rosa é marcante e faz toda diferença:

 

SALADA VERDE COM MANGA GRELHADA E PIMENTA ROSA

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Alface crespa
Alface lisa
Alface crespa roxa
Rúcula
1 manga cortada em cubos
2 colheres de sopa de pimenta rosa socadas em pilão (ou soque sobre a tábua de corte usando um pano de prato pra envolver as pimentas)
Sal
Azeite
Vinagre balsâmico (opcional)

  1. Lave as folhas e reserve;
  2. Descasque e corte a manga em pedaços grandes, porém possíveis de serem levados à boca.
  3. Tempere a manga com azeite, uma pitada de sal e pimenta rosa previamente socada. Leve para grelhar rapidamente, apenas para soltar os aromas. Evite mexer para que a fruta não desmanche.
  4. Jogue a manga grelhada por cima das folhas, mexa bem. Sal e azeite funcionam bem, mas se tiver em casa também pode regar com vinagre balsâmico.

 

 

 

Outros olhares sobre a natureza

Alguns anos atrás, me deparei com a proposta de que devíamos ler mais mulheres.

Num primeiro momento, a minha reação foi de pensar que eu já lia mulheres, e de que isso nunca havia sido uma questão determinante pra que eu escolhesse um livro. Porém, quis olhar mais de perto o que estava sendo proposto. Resolvi olhar de verdade pra minha estante. Dizer em voz alta os nomes dos autores que me tocaram ao longo da minha história, os livros que eu tinha carinho e os que eu estava interessada em conhecer; fui pensar de fato sobre o assunto. E eu me surpreendi: a imensa maioria dos meus livros tinham mesmo sido escritos por homens, sem que eu nunca tivesse me dado conta.

Foi tomada por essa percepção, e pelo fato de progressivamente me reconhecer como alguém que também escreve (e claro, deseja ser lida), que me juntei à proposta do #LeiaMulheres. E pode parecer pequeno, mas isso mudou muito a forma como eu me relaciono com os livros.

Lorraine Anderson, uma escritora norte-americana, conta uma história muito parecida com a que acabei de narrar.

Ela conta no prefácio do livro Sisters of Earth – woman prose and poetry about nature que a nossa relação com a natureza era uma temática que a atraia muito. A natureza era pra ela colo, inspiração, aventura, deleite; uma casa, uma professora, uma companheira. Um dia, ela folheava uma revista literária que particularmente a tinha atraído e que proclamava na capa Wild should remain wild (o selvagem deve permanecer não-domesticado), e no miolo trazia vários textos e frases de escritores que saiam em defesa do mundo natural que nos cerca. Aldo Leopold, Henry David Thoreau, Nathaniel Hawthorne, Walt Whitman, John Muir, Edward Abbey. Foi então que de repente, uma questão apareceu na sua cabeça:

Aonde estão as vozes das mulheres?

Lorraine fez o mesmo movimento que eu e várias outras mulheres nesses dias temos feito, e foi olhar nas suas anotações bibliográficas da época que estudou na faculdade, entrou em bibliotecas, olhou pra sua própria estante, e percebeu como as vozes das mulheres ainda eram pouco ouvidas. O ano, no entanto, está distante quase 30 anos dos dias de hoje: era 1991.

Sisters of Earth é a resposta que Lorraine Anderson produziu pra lidar com esse apagamento. O livro é um apanhado maravilhoso de pequenos trechos dos mais variados gêneros, escritos por mulheres, sobre sua relação com o mundo natural.

Lendo fica muito claro que o problema não é que as mulheres não tenham falado/escrito/produzido pensamentos muito importantes sobre isso; o problema é que não demos a atenção devida.

Como o livro é todo composto por fragmentos, minha experiência tem sido a de mantê-lo como um livro de cabeceira. A noite, antes de dormir, escolho algum trecho pelo título, por uma palavra que atravessou meu dia, ou só abro em uma página e leio. Como  quase sempre escolho pelo título, nunca nem mesmo sei se virá uma poesia, um trecho de um ensaio, um conto ficcional. Têm funcionado como pequenos encontros deliciosos antes que o dia termine.

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Até na dedicatória tive espaço pra me emocionar com a singela homenagem ao companheiro felino da autora

Outro efeito maravilhoso do livro é você construir um catálogo de autoras e obras que te interessam mas que você não tinha ideia de que existiam, já que muitas delas não recebem a devida atenção das mídias, da crítica ou do mercado apenas por serem mulheres. Antes de cada trecho, Lorraine Anderson apresenta a autora, conta da sua trajetória e localiza o trecho dentro de uma obra. Minha lista de coisas que gostaria de ler não para de aumentar a cada noite.

Fico muito feliz de ter sido encontrada por esse livro. Foi um presente que ganhei da Daniela, do Correndo entre livros, e que me deixou muito emocionada, pela delicadeza de me presentear sem uma razão (apenas por afeto – mas que razão melhor podia existir, afinal?), pela sensibilidade de escolher uma leitura tão acertada e que fala tanto comigo. Quis dividir esse carinho deixando registrado por aqui pra que outras pessoas também possam ter a oportunidade de ouvir a voz desta e de outras mulheres falando sobre cuidado, atenção, afeto, abusos, cura, presença animal e vegetal nas nossas vidas, equilíbrio, e convivência com a natureza que vive em cada um de nós.

Eu sou o umbigo do mundo

Essa PANC não é novidade pra quem é de Minas Gerais: é o umbigo de banana. Também tem quem chame por coração de banana ou mangará. É o que fica pendurado no final do cacho de bananas, e que geralmente se corta depois que as penquinhas de banana já se formaram, pra dar força pras bananas se desenvolverem, e se joga fora. Pois aqui a gente faz a festa.

Acho que o gosto lembra um pouco palmito fresco, e a textura se parece com a do alho poró. Quando peço na feira pra trazerem um umbigo pra mim, fica todo mundo curioso, e eu faço questão de contar como uso, explico a receita (e já até levei na semana seguinte uma vasilha com a receita pronta pra levarem pra casa e experimentarem). Eles quase sempre me dão o umbigo de presente – até nisso as PANCs propõe uma nova relação, que é menos comercial e mais de trocas afetivas e curiosas.

Em Minas o mais comum é usarem de recheio pra pastel de angu – um pastelzinho frito cuja massa é feita de angu bem durinho e empanado. Como eu tenho preguiça de fritar qualquer coisa, resolvi explicar como fazer um antepasto, que dá pra comer como salada depois de fria ou como um complemento em cima de um pão, feito um canapé. Enviei essa receita na newsletter #20, junto com algumas ideias sobre alfabetização verde e PANCs. Dá pra assinar aqui e receber as próximas edições. Pra quem perdeu essa barbada, fica a receita:

Antepasto de umbigo de banana

1 umbigo de banana (em alguns lugares também se fala “coração” ou mangará)
1 cebola branca
1 cenoura média ralada
2 colheres de sopa de manteiga
1 colher de sopa de açúcar
1/2 xíc de chá de castanha de caju picada
1/2 xíc de chá de uva passas pretas (deixe hidratar em vinho tinto por 1h antes de usar)
Sal à gosto

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Picando e colocando rapidamente em uma vasilha com água+limão (o passo 2)

Como usar o umbigo de banana:

1. Se houver folhas mais soltinhas, abertas, como que despencando, descarte, pois elas geralmente estão duras. Deixe o “umbigo” somente com a parte que estiver compacta e mais firme como na foto que abriu a postagem;

2. Pique bem fininho, e vá colocando o que for picado numa vasilha com água e um limão espremido. O umbigo de banana oxida muito rápido, e a gente faz isso pra que ele não escureça. Deixe descansar ali por uns 30 minutos.

3. Em seguida, vamos tirar o amargo do umbigo: jogue na água fervente, e cozinhe por 5 minutos. Escorra e prove, e se ainda achar amargo repita este processo mais uma vez. Uma fervida, no entanto, costuma ser suficiente. Isso varia do tipo de espécie de banana que você está usando.

Agora você pode fazer a receita:

4. Pique as cebolas em meia-lua, para ficarem em um formato semelhante ao corte do umbigo de banana. Doure devagar na manteiga, em fogo baixo, por pelo menos uns 10 minutos.

5. Quando as cebolas já tiverem murchado um bocado, acrescente o açúcar para ajudar a realçar a caramelização;

6. Acrescente a cenoura ralada, deixe amaciar. Você pode aproveitar e tirar o fundo queimadinho da panela com um pouco de vinho branco. Em seguida coloque o umbigo de banana já previamente fervido, refogue rapidamente e desligue o fogo.

7. Para finalizar, acrescente as castanhas de caju quebradas e as passas. Acerte o sal e regue com azeite.

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Eu sei, deu água na boca. Pois tava muito bom mesmo.

De comer e de enfeitar: a flor do alho poró

Esta PANC tem a maior cara de primavera, e é de comer e de enfeitar: a flor do alho poró.

Apesar de lindas e do alho poró ser uma planta comum, que encontramos com alguma facilidade pra comprar, não duvido nada que você nunca tenha visto esta flor. O caule do alho poró é a parte que costumamos comer; as folhas, apesar de vendidas junto com o caule, usamos bem menos, mas são ótimas pra fazer caldo de legumes ou fundo de risoto: basta ferver lentamente as folhas sozinhas ou com outros legumes para aromatizar a água. Mas as flores, ah, essas daí eu tive que encomendar porque os agricultores as descartam.

No entanto, dá pra ver que elas são lindíssimas. O alho é um bulbo que floresce na primavera, como várias outros bulbos não comestíveis – as palmas, os lírios, as amaryllis, e tantas outras. As flores duram muito em vaso. No ano passado, chegaram a ficar quase um mês muito vistosas antes de abrirem e começarem a murchar.

O melhor, no entanto, é que depois de servirem de enfeite elas também podem ir pra panela. Elas tem um gosto de alho bem suave. São boas para se jogar por cima, ao final do cozimento, temperando e enfeitando o arroz, pra finalizar risotos, ou temperar e enfeitar legumes assados. Além do gosto que lembra alho, as coisas ficam com uma aparência incrível e sofisticada com esses salpicos florais roxos.

Como as flores do alho poró são suaves, é possível jogá-las por cima cruas, para que não percam a cor. Não exagere, pois mesmo sendo suave o sabor do alho é muito marcante. A temperatura quente do restante do prato vai ajudar a exalar o aroma e dispensar que você leve as flores ao fogo. Nada impede que você refogue as flores, mas lembre-se de que nesse caso elas perderão parte da cor e da forma.

O alho poró também é um ótimo exemplo de como a jardinagem poderia fazer uso paisagístico de plantas comestíveis, mas que pouco vemos ser usado. Imagine um jardim de alhos poró floridos, que coisa bonita 💚

Por ser uma planta muito cultivada, o meu conselho é que você converse com quem planta. Pergunte sobre essas flores, encomende, valorize. Muitas vezes eles sabem que se come, mas não vendem porque acreditam que os compradores vão achar estranho ou que não vai vender. Muita coisa boa por aí não chega até nós por puro medo dos nossos preconceitos.

E não se preocupe: a casa não fica com cheiro de alho com os arranjos nos vasos. As flores só exalam quando a gente as esfrega.

Suco de jabuticaba fermentado (com casca e caroço)

A jabuticaba é daquelas frutinhas sazonais que não se acha nos grande mercados, mas nos quintais, feiras, carrinhos, caminhões e barraquinhas nas beiras de estrada. Quando uma fruta é assim, restrita à sazonalidade,  você acaba tendo nas mãos uma quantidade imensa e precisa criar coisas com ela – inclusive jeitos de salvar um pouquinho pro futuro porque você vai demorar a ver jabuticaba de novo.

Na maioria das vezes apenas se comem as jabuticabas – e é maravilhoso – mas também há quem faça geleias, chimias, licores, bolos e até jabuticaba passas usando secadores solares. Mas a verdade é que a jabuticaba ainda é uma fruta subaproveitada, com um potencial criativo imenso por acontecer. É uma fruta brasileira, nativa da mata-atlântica, amplamente cultivada, mas que ainda não encontramos facilmente nas lanchonetes, sorveterias, confeitarias e prateleiras do supermercado.

Resolvi registrar por aqui como fazer suco fermentado de jabuticaba porque é muito simples e delicioso. Quem me trouxe a primeira leva desse suco foi minha amiga Josi, que aprendeu com os agricultores, e apenas acrescentei a etapa de fermentação em garrafa para criar gás mais evidente na bebida. Esse mesmo suco fermentado criado com um pouco menos de água tem um potencial imenso também para ser utilizado em outras preparações, como mousses, molhos salgados para massas, roscas e biscoitos, mas vou deixar essas experiências para a próxima temporada. Por agora, fiquemos com o suco de jabuticaba fermentado, com casca caroço e tudo. Pra fazer é assim:

1 kg de jabuticabas
3/4 xícara de açúcar refinado (ou demerara, mascavo, ou o que for sua preferência)
800ml de água

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A cor do suco é incrível
  1. Amasse as jabuticabas com as mãos ou use um pilão. A ideia não é macerar as frutas, apenas romper a casca soltar um pouco do sumo (e vou te contar: amassar jabuticabas é um processo super prazeroso, lembra muito estourar plástico-bolha);
  2. Junte o açúcar e a água.  Lembre-se de que essa foi a minha medida, mas você pode ajustar estas quantidades de acordo com o seu gosto. Recomendo que se use pelo menos meia xícara de açúcar, pois ele é necessário pro processo de fermentação e será consumido para formar gás;
  3. Cubra com um pano, e aguarde 3 ou 4 dias. Você deve notar uma mudança no cheiro que ficará mais ácido e algumas bolhas saindo da água. Pode ser que se forme uma leve camada esbranquiçada em cima das jabuticabas que ficarem boiando. Não se assuste, é parte normal do processo de fermentação;
  4. Coe o líquido. Lembre-se de amassar as jabuticabas que restaram para soltar todo o caldo. Procure não apertar demais: a casca da jabuticaba é adstringente, e se exagerarmos o suco pode “apertar” na boca;
  5. Coloque o líquido em uma garrafa e feche bem. Aguarde mais 2 dias até que o gás se forme na garrafa;
  6. Coloque para gelar e sirva.
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Tin-tin!

 

Como fazer mostarda em casa

Eu sei que tendo tantas mostardas à disposição nos supermercados parece um contrassenso se atrever a fazer a sua, mas depois que experimentei fazer a primeira vez nunca mais deixei de fazê-las. Primeiro, porque descobri que era fácil demais. Depois, porque o sabor compensava, e era melhor do que qualquer outra mostarda que eu já tinha experimentado. Fazer em casa também evitava que eu precisasse descartar novas embalagens de vida tão curtinha. Isso sem contar a experiência de produzir as coisas com as próprias mãos: no processo a gente acaba descobrindo que não dependemos tanto assim desse tipo de produção industrial, distante de nós, e que é possível experimentar o mundo de um jeito bem diferente.

Não é preciso se preocupar com a durabilidade desse molho. Como ele usa uma quantidade grande de vinagre e de mel, estes dois ingredientes funcionam como conservante natural pra mostarda. Você pode deixar na geladeira por meses, como deixaria as mostardas compradas.

Eu fui testando e adaptando essa receita até chegar em uma que agradasse o meu paladar, e aconselho sempre a não seguir receitas e achar o seu jeito. Mas a gente tem que começar por algum lugar, e você pode começar experimentando a minha:

1/3 xícara de sementes de mostarda
1/3 xícara de vinagre de maçã artesanal
1/3 xícara de vinho branco seco de boa qualidade
2 colheres de sopa de mel
1 pedaço de cerca de 3cm de açafrão da terra (cúrcuma) ou 1 colher de chá de açafrão em pó
1/2 colher de chá de sal
1/2 colher de chá de páprica picante

  1. Coloque todos os ingredientes em uma vasilha, cubra com um pano e aguarde 3 dias.
  2. No final de 3 dias, bata os ingredientes em um liquidificador, mas se você não tiver um também pode tentar com um processador de alimentos ou um mixer e até mesmo usar um pilão é possível. Quanto mais potente for o seu aparelho/utensílio, melhor é o resultado em termos de homogeneidade.
  3. Um truque para o caso de você estar com dificuldades de conseguir uma textura sem resíduos da casquinha das sementes de mostarda, ou não ficar satisfeito com a consistência é acrescentar algumas colheres de água morna, até chegar ao ponto que te agrade. 2 ou 3 colheres deverão bastar.

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Esse molho, é bom lembrar, são os de mostardas comum e não o de mostarda de dijon. A mostarda de dijon também é possível de ser feita em casa, mas é um processo mais trabalhoso porque exige cozimento.

Um conselho importante desta receita é procurar usar um vinagre artesanal, ou até mesmo fazer o seu próprio vinagre caseiro. O gosto dos vinagres artesanais é bem diferente dos industriais, e como ele é um ingrediente usado em quantidade nessa receita, faz toda a diferença essa escolha no resultado final.

Uso muito essa mostarda para fazer molho de mostarda com mel e usar em saladas. e também para acompanhar batatas assadas. No caso do molho de salada, para cada colher de mostarda acrescento uma colher de mel e misturo à parte antes de jogar sobre as folhas. É um molho simples, mas prático pra se ter à mão.