Risoto de taioba com banana da terra

Taioba é uma PANC que mora no coração de muitos mineiros; no meu com certeza. É uma folha que se parece com várias outras folhas ornamentais, e principalmente se parece com as folhas do inhame. A folha do inhame, no entanto, não é comestível e a gente sente bem que não é taioba pois folha de inhame pinica na boca. Ela é uma verdura que se come refogada, e que tem de ficar um tempinho na panela maior que a couve. Fica bem macia, com uma textura muito aveludada na boca.

Saindo de Minas e de alguns lugares no interior do Rio de Janeiro, não é muito comum encontrar a taioba (em São Paulo, o Daniel, no twitter, me contou que em feiras especializadas de orgânicos também se acha, mas se não chegar cedo elas acabam). É das comidas que mais me lembram de casa, e por isso quando eu vim de mudança pro Paraná tratei logo de colocar umas batatinhas na mala pra trazer e multiplicar por aqui.

Eu coloquei num vaso do tipo jardineira, retangular e bem grandinho, mas a verdade é que independente do manejo que tenho ela não produz bem na varanda. Taioba é uma planta que gosta de muita água, ótima pra se colocar na beira de algum alagado, por exemplo. Em Minas, época boa pra achar taioba – nos quintais e também nas feiras – é de outubro a março, estação chuvosa.

Como meu vaso produz muito mal taioba – não recomendo ter em apartamento com pouco espaço, existem escolhas melhores por mais que taioba seja uma verdura que mora no meu coração – , precisei arrumar outra solução pra comer taioba no Paraná. Trouxe mais mudas de Minas e dei de presente pra um amigo feirante. Meu único pedido: “traz folha de taioba pra vender pra mim quando elas produzirem”.

Na semana passada, um ano depois das mudas dadas, eis que ele trouxe pra mim o molho de taiobas mais farto do mundo e deixou escondidinho na barraca, pra me entregar quando eu passasse. Achei tão bonito que isso tenha sido possível. Plantar não é mesmo só cultivar vegetais.

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O molho de taioba que ganhei

Matamos a saudade fazendo um risoto de taioba com banana da terra. É um prato que não é comum em Minas – lá a gente come taioba refogada com arroz, feijão, quiabo. Mas a gente adora porque só suja uma panela, leva 30 minutos pra ficar pronto, tem cara de sofisticado, mas os ingredientes são muito nossos (que saudades de Minas <3):

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RISOTO DE TAIOBA COM BANANA DA TERRA (para 2 pessoas)

1 cebola média picada em cubos bem pequenos
1 colher de manteiga
1/2 xícara de arroz arbóreo (arroz de risoto)
1/3 xícara de vinho branco seco
2-3 bananas da terra cortada em cubos médios
4 folhas de taioba (em torno de 1/2 molho)
Lascas de Queijo Minas bem curado

  1. Comece aquecendo um caneco com água em uma das bocas do fogão. Se você tiver algumas folhas de alho poró (a parte de cima do bulbo, que geralmente descartamos), ou caldo de legumes caseiro coloque nesta água. Caso não tenha, não se preocupe, a água sozinha é suficiente pra fazer o prato. A água precisa estar fervendo para colocarmos no risoto;
  2. Em outra panela, refogue a cebola na manteiga em fogo baixo até que o fundo da panela comece a ficar com um agarradinho escuro;
  3. Coloque o arroz, deixe torrar por 1-2 minutos, e jogue o vinho branco para soltar o fundo da panela;
  4. Assim que o vinho secar, comece a colocar a água que você deixou ferver sobre o arroz. Não despeje tudo. Coloque um pouco até o arroz ficar envolto em água, mexa, cozinhe por mais alguns minutos esperando que ela evapore, e em seguida coloque mais um pouquinho. Essa operação vai precisar ser repetida de 3 a 4 vezes até que o risoto fique pronto;
  5. Depois de colocar a primeira água, coloque metade da quantidade de banana da terra picada. Ela deverá praticamente se desmanchar no risoto, dando bastante sabor pro arroz;
  6. Quando perceber que o arroz está mudando de cor e ficando cozido (na última água), coloque o restante da banana. 1 ou 2 minutos depois, coloque as folhas de taioba previamente picadas bem fininhas;
  7. Acerte o sal, desligue o fogo e jogue as lascas de queijo Minas por cima. É desejável que não se seque muito o risoto, e que ele fique bem molhadinho.

Bom apetite!

 

Nem todo grão de mostarda é igual

Já tinha escrito aqui sobre como fazer mostarda em casa, mas nesses últimos dias, ao fazer uma nova remessa do molho pra mim, fiz uma pequena descoberta: existem grãos de mostarda diferentes no mercado. Conhecia a mostarda marrom, que não se acha fácil pra comprar no Brasil, e sabia que ela era feita com grãos mais escuros, mas não sabia ainda que os grãos amarelos tinham variação (e que o mercado não avisa pra gente):

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Os grãos maiores (à esquerda) tem um sabor mais forte e pungente. O molho de mostarda feito com ele tem um sabor que lembra muito raiz forte. Não achei muito bom pra essa finalidade, mas os grãos maiores pareceram adequados pra fazer o massala do arroz (pilau) indiano (que começa com uma fritada até “pipocar”, com a panela tampada, de grãos de mostarda em óleo), ou pra colocar no repolho pra deixar ele fermentar até virar chucrute. Já os grãos mais miúdos (à direita) são muito saborosos sem serem tão amargos. É o melhor pra fazer molho de mostarda.

Infelizmente os grãos não são identificados como tipos diferentes na hora que a gente vai comprar. O mais comum é que um local tenha apenas um dos tipos, então cabe a gente que está comprando tentar discernir no escuro (não soa um absurdo a gente não ter direito de saber o que estamos levando?).

Uma forma de você saber se o grão de mostarda é maior ou menor é comparando. Um grão muito parecido com o menor é o grão da quinoa:

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À esquerda a mostarda do grão pequeno e à direita, mais claro, a quinoa: tamanhos bem parecidos.

Então, se você não tiver certeza de que grão de mostarda se trata, na hora de comprar dê uma olhada na quinoa, coloque as duas lado a lado. Se a quinoa for menor, você já sabe que é o grão de mostarda grande, e que o resultado do molho vai ficar melhor com as sementes menores. Melhor tentar encontrá-las em outro lugar.

 

O estranho caso da pimenta rosa

Se você parar pra prestar atenção nas árvores da sua cidade entre novembro e janeiro é muito provável que encontre alguma árvore que lembra muito uma chorona, e ela estará carregada de cachos de bolinhas vermelhas bem miúdas. É uma árvore muito comum usada na arborização urbana, mas pouca gente sabe identificar: essas árvores são as aroeiras e as tais bolinhas pimentas rosas.

Essa árvore que se parece uma chorona não é a única espécie de aroeira, mas é a mais comum na região onde moro. Ela tem o nome de Schinus molle, e as pimentas são mais pálidas, clarinhas e de sabor mais doce que as vermelhas que são vendidas em casas de especiarias. São várias as espécies que produzem a pimenta mais avermelhada,e por isso a gente encontra elas pelo país inteiro: cada espécie se adapta a um clima e por isso elas estão em toda parte.

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Uma aroeira Schinus molle pela minha cidade
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Eu colhendo pimenta rosa na aroeira do tipo Schinus Molle que encontrei

A pimenta rosa é um caso curiosíssimo. Ela é um tempero nativo da América do sul, muito usado na arborização urbana brasileira de norte a sul do país, mas quase toda pimenta rosa que a gente consome é importada. E custa uma fortuna (em dez/2017, era algo em torno de 120reais/kg). É muito pouco compreensível porque não se tem um cultivo local voltado pro consumo interno ou até mesmo porque não pegamos nas árvores das nossas cidades. Tornar a pimenta rosa mais acessível seria um ótimo caminho pra gente começar a fazer mais uso dela.

As aroeiras e seus frutinhos comestíveis estão aos montes à nossa volta, pra quem sabe ler a paisagem verde.

Procurar aroeiras pelo espaço urbano é um exercício muito interessante de se perceber mais conectado com a cidade, a vegetação, a vida à sua volta. Desde que aprendi a identificar a aroeira, vejo ela em todo lugar. Me pergunto como eu nunca tinha reparado nessas árvores antes.

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Outra espécie de aroeira e as inconfundíveis pimenta rosas: esfregue uma bolinha na mão e sinta o cheiro!

O sabor da pimenta rosa é doce e aromático. Apesar do nome “pimenta” ela não arde. Vai bem com pratos doces (chocolate e pimenta rosa é uma combinação sem erro; colocar pimenta rosa no brigadeiro branco então…) e também com pratos salgados. Pra usar as pimentas rosas, o melhor a se fazer é socar as bolinhas em um pilão, ou mesmo bater com martelo ou outro instrumento de cozinha as bolinhas enroladas em um pano de prato sobre a tábua de corte. A ideia é esfarelar em pedacinhos pequenos pra que o sabor não fique muito concentrado.

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Um bom jeito de usar as pimentas é socar no pilão antes de acrescentar nas receitas

Pra quem estiver curioso pra experimentar e ainda não sabe muito bem o que fazer com o tempero, a sugestão do dia é uma salada refrescante e saborosa, no qual a pimenta rosa é marcante e faz toda diferença:

 

SALADA VERDE COM MANGA GRELHADA E PIMENTA ROSA

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Alface crespa
Alface lisa
Alface crespa roxa
Rúcula
1 manga cortada em cubos
2 colheres de sopa de pimenta rosa socadas em pilão (ou soque sobre a tábua de corte usando um pano de prato pra envolver as pimentas)
Sal
Azeite
Vinagre balsâmico (opcional)

  1. Lave as folhas e reserve;
  2. Descasque e corte a manga em pedaços grandes, porém possíveis de serem levados à boca.
  3. Tempere a manga com azeite, uma pitada de sal e pimenta rosa previamente socada. Leve para grelhar rapidamente, apenas para soltar os aromas. Evite mexer para que a fruta não desmanche.
  4. Jogue a manga grelhada por cima das folhas, mexa bem. Sal e azeite funcionam bem, mas se tiver em casa também pode regar com vinagre balsâmico.

 

 

 

Outros olhares sobre a natureza

Alguns anos atrás, me deparei com a proposta de que devíamos ler mais mulheres.

Num primeiro momento, a minha reação foi de pensar que eu já lia mulheres, e de que isso nunca havia sido uma questão determinante pra que eu escolhesse um livro. Porém, quis olhar mais de perto o que estava sendo proposto. Resolvi olhar de verdade pra minha estante. Dizer em voz alta os nomes dos autores que me tocaram ao longo da minha história, os livros que eu tinha carinho e os que eu estava interessada em conhecer; fui pensar de fato sobre o assunto. E eu me surpreendi: a imensa maioria dos meus livros tinham mesmo sido escritos por homens, sem que eu nunca tivesse me dado conta.

Foi tomada por essa percepção, e pelo fato de progressivamente me reconhecer como alguém que também escreve (e claro, deseja ser lida), que me juntei à proposta do #LeiaMulheres. E pode parecer pequeno, mas isso mudou muito a forma como eu me relaciono com os livros.

Lorraine Anderson, uma escritora norte-americana, conta uma história muito parecida com a que acabei de narrar.

Ela conta no prefácio do livro Sisters of Earth – woman prose and poetry about nature que a nossa relação com a natureza era uma temática que a atraia muito. A natureza era pra ela colo, inspiração, aventura, deleite; uma casa, uma professora, uma companheira. Um dia, ela folheava uma revista literária que particularmente a tinha atraído e que proclamava na capa Wild should remain wild (o selvagem deve permanecer não-domesticado), e no miolo trazia vários textos e frases de escritores que saiam em defesa do mundo natural que nos cerca. Aldo Leopold, Henry David Thoreau, Nathaniel Hawthorne, Walt Whitman, John Muir, Edward Abbey. Foi então que de repente, uma questão apareceu na sua cabeça:

Aonde estão as vozes das mulheres?

Lorraine fez o mesmo movimento que eu e várias outras mulheres nesses dias temos feito, e foi olhar nas suas anotações bibliográficas da época que estudou na faculdade, entrou em bibliotecas, olhou pra sua própria estante, e percebeu como as vozes das mulheres ainda eram pouco ouvidas. O ano, no entanto, está distante quase 30 anos dos dias de hoje: era 1991.

Sisters of Earth é a resposta que Lorraine Anderson produziu pra lidar com esse apagamento. O livro é um apanhado maravilhoso de pequenos trechos dos mais variados gêneros, escritos por mulheres, sobre sua relação com o mundo natural.

Lendo fica muito claro que o problema não é que as mulheres não tenham falado/escrito/produzido pensamentos muito importantes sobre isso; o problema é que não demos a atenção devida.

Como o livro é todo composto por fragmentos, minha experiência tem sido a de mantê-lo como um livro de cabeceira. A noite, antes de dormir, escolho algum trecho pelo título, por uma palavra que atravessou meu dia, ou só abro em uma página e leio. Como  quase sempre escolho pelo título, nunca nem mesmo sei se virá uma poesia, um trecho de um ensaio, um conto ficcional. Têm funcionado como pequenos encontros deliciosos antes que o dia termine.

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Até na dedicatória tive espaço pra me emocionar com a singela homenagem ao companheiro felino da autora

Outro efeito maravilhoso do livro é você construir um catálogo de autoras e obras que te interessam mas que você não tinha ideia de que existiam, já que muitas delas não recebem a devida atenção das mídias, da crítica ou do mercado apenas por serem mulheres. Antes de cada trecho, Lorraine Anderson apresenta a autora, conta da sua trajetória e localiza o trecho dentro de uma obra. Minha lista de coisas que gostaria de ler não para de aumentar a cada noite.

Fico muito feliz de ter sido encontrada por esse livro. Foi um presente que ganhei da Daniela, do Correndo entre livros, e que me deixou muito emocionada, pela delicadeza de me presentear sem uma razão (apenas por afeto – mas que razão melhor podia existir, afinal?), pela sensibilidade de escolher uma leitura tão acertada e que fala tanto comigo. Quis dividir esse carinho deixando registrado por aqui pra que outras pessoas também possam ter a oportunidade de ouvir a voz desta e de outras mulheres falando sobre cuidado, atenção, afeto, abusos, cura, presença animal e vegetal nas nossas vidas, equilíbrio, e convivência com a natureza que vive em cada um de nós.

Eu sou o umbigo do mundo

Essa PANC não é novidade pra quem é de Minas Gerais: é o umbigo de banana. Também tem quem chame por coração de banana ou mangará. É o que fica pendurado no final do cacho de bananas, e que geralmente se corta depois que as penquinhas de banana já se formaram, pra dar força pras bananas se desenvolverem, e se joga fora. Pois aqui a gente faz a festa.

Acho que o gosto lembra um pouco palmito fresco, e a textura se parece com a do alho poró. Quando peço na feira pra trazerem um umbigo pra mim, fica todo mundo curioso, e eu faço questão de contar como uso, explico a receita (e já até levei na semana seguinte uma vasilha com a receita pronta pra levarem pra casa e experimentarem). Eles quase sempre me dão o umbigo de presente – até nisso as PANCs propõe uma nova relação, que é menos comercial e mais de trocas afetivas e curiosas.

Em Minas o mais comum é usarem de recheio pra pastel de angu – um pastelzinho frito cuja massa é feita de angu bem durinho e empanado. Como eu tenho preguiça de fritar qualquer coisa, resolvi explicar como fazer um antepasto, que dá pra comer como salada depois de fria ou como um complemento em cima de um pão, feito um canapé. Enviei essa receita na newsletter #20, junto com algumas ideias sobre alfabetização verde e PANCs. Dá pra assinar aqui e receber as próximas edições. Pra quem perdeu essa barbada, fica a receita:

Antepasto de umbigo de banana

1 umbigo de banana (em alguns lugares também se fala “coração” ou mangará)
1 cebola branca
1 cenoura média ralada
2 colheres de sopa de manteiga
1 colher de sopa de açúcar
1/2 xíc de chá de castanha de caju picada
1/2 xíc de chá de uva passas pretas (deixe hidratar em vinho tinto por 1h antes de usar)
Sal à gosto

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Picando e colocando rapidamente em uma vasilha com água+limão (o passo 2)

Como usar o umbigo de banana:

1. Se houver folhas mais soltinhas, abertas, como que despencando, descarte, pois elas geralmente estão duras. Deixe o “umbigo” somente com a parte que estiver compacta e mais firme como na foto que abriu a postagem;

2. Pique bem fininho, e vá colocando o que for picado numa vasilha com água e um limão espremido. O umbigo de banana oxida muito rápido, e a gente faz isso pra que ele não escureça. Deixe descansar ali por uns 30 minutos.

3. Em seguida, vamos tirar o amargo do umbigo: jogue na água fervente, e cozinhe por 5 minutos. Escorra e prove, e se ainda achar amargo repita este processo mais uma vez. Uma fervida, no entanto, costuma ser suficiente. Isso varia do tipo de espécie de banana que você está usando.

Agora você pode fazer a receita:

4. Pique as cebolas em meia-lua, para ficarem em um formato semelhante ao corte do umbigo de banana. Doure devagar na manteiga, em fogo baixo, por pelo menos uns 10 minutos.

5. Quando as cebolas já tiverem murchado um bocado, acrescente o açúcar para ajudar a realçar a caramelização;

6. Acrescente a cenoura ralada, deixe amaciar. Você pode aproveitar e tirar o fundo queimadinho da panela com um pouco de vinho branco. Em seguida coloque o umbigo de banana já previamente fervido, refogue rapidamente e desligue o fogo.

7. Para finalizar, acrescente as castanhas de caju quebradas e as passas. Acerte o sal e regue com azeite.

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Eu sei, deu água na boca. Pois tava muito bom mesmo.

De comer e de enfeitar: a flor do alho poró

Esta PANC tem a maior cara de primavera, e é de comer e de enfeitar: a flor do alho poró.

Apesar de lindas e do alho poró ser uma planta comum, que encontramos com alguma facilidade pra comprar, não duvido nada que você nunca tenha visto esta flor. O caule do alho poró é a parte que costumamos comer; as folhas, apesar de vendidas junto com o caule, usamos bem menos, mas são ótimas pra fazer caldo de legumes ou fundo de risoto: basta ferver lentamente as folhas sozinhas ou com outros legumes para aromatizar a água. Mas as flores, ah, essas daí eu tive que encomendar porque os agricultores as descartam.

No entanto, dá pra ver que elas são lindíssimas. O alho é um bulbo que floresce na primavera, como várias outros bulbos não comestíveis – as palmas, os lírios, as amaryllis, e tantas outras. As flores duram muito em vaso. No ano passado, chegaram a ficar quase um mês muito vistosas antes de abrirem e começarem a murchar.

O melhor, no entanto, é que depois de servirem de enfeite elas também podem ir pra panela. Elas tem um gosto de alho bem suave. São boas para se jogar por cima, ao final do cozimento, temperando e enfeitando o arroz, pra finalizar risotos, ou temperar e enfeitar legumes assados. Além do gosto que lembra alho, as coisas ficam com uma aparência incrível e sofisticada com esses salpicos florais roxos.

Como as flores do alho poró são suaves, é possível jogá-las por cima cruas, para que não percam a cor. Não exagere, pois mesmo sendo suave o sabor do alho é muito marcante. A temperatura quente do restante do prato vai ajudar a exalar o aroma e dispensar que você leve as flores ao fogo. Nada impede que você refogue as flores, mas lembre-se de que nesse caso elas perderão parte da cor e da forma.

O alho poró também é um ótimo exemplo de como a jardinagem poderia fazer uso paisagístico de plantas comestíveis, mas que pouco vemos ser usado. Imagine um jardim de alhos poró floridos, que coisa bonita 💚

Por ser uma planta muito cultivada, o meu conselho é que você converse com quem planta. Pergunte sobre essas flores, encomende, valorize. Muitas vezes eles sabem que se come, mas não vendem porque acreditam que os compradores vão achar estranho ou que não vai vender. Muita coisa boa por aí não chega até nós por puro medo dos nossos preconceitos.

E não se preocupe: a casa não fica com cheiro de alho com os arranjos nos vasos. As flores só exalam quando a gente as esfrega.