Uma PANC pra se ter em casa: ora-pro-nobis

Nem todo mundo dispõe de muito espaço em casa, mas mesmo com pouco ou uma janela é possível ter a oportunidade de se deliciar com o cultivo de plantinhas comestíveis. Este, inclusive, foi o assunto da minha newsletter#21, que dei o nome de ‘medicina do mato’: cuidar de plantas é uma forma de remediar muita cegueira e descompasso que andamos vivendo coletivamente. Esse contato nos permite retomar a vivência da terra, dos ciclos, a proximidade com outros seres, com o nascer e com o morrer, a aprendizagem pela tentativa e erro sem medo.

Resolvi retomar um pouco dessa conversa por aqui com uma sugestão inusitada de plantio em pequenos espaços: a ora-pro-nobis. Quem é de Minas Gerais como eu até se ofende em saber que a verdura é não-convencional, mas é. Em Minas as pessoas possuem pés nos quintais e não é muito difícil encontrar as folhas à venda nas feiras. Há pratos tradicionais da culinária mineira que fazem uso, e Sabará, cidade da região metropolitana de BH, sedia um festival anual dedicado às delícias produzidas com a planta. Mas fora do estado ela tem se tornado mais popular, mas ainda pouca gente conhece.

Vaso de ora pro nobis
Ora pro nobis no vaso: é possível produzir até em apartamento. E produz muito bem

É a planta mais produtiva que tenho em casa. No verão como tranquilamente ora-pro-nobis a cada 10-15 dias. Somos duas pessoas por aqui, e quando colhemos usamos uma quantidade absurda – nós gostamos muito. Então posso garantir que ela solta folhas e galhos com fartura. Quanto mais se poda, mais ela solta brotos.

Cuidar da ora-pro-nobis não exige muito esforço. Primeiro porque ela é um cacto, o que significa que se você é daqueles que se esquecem de colocar água não vai passar muito aperto: ela não precisa de tanta rega e é melhor nem molhar todo dia mesmo. Ela vai sobreviver a algum esquecimento também. Não precisa de muito sol direto – 3 horas diárias são suficientes, o que a torna uma planta amigável pra se ter em apartamento. A ora-pro-nobis também não é muito exigente com solo, embora se beneficie de uma adubada anual como qualquer planta e não é tóxica para gatos ou cachorros. Ela cresce realmente como um mato, sem quase nenhum cuidado.

Fazer uma muda também não é difícil. Se você tiver a sorte de encontrar alguém que tenha ora-pro-nobis, peça um galho e coloque na água. A raiz se desenvolve em poucos dias e ela está pronta para ser colocada na terra e se transformar numa planta nova. Também não é difícil procurar a planta em viveiros, pois ela tem ganhado fama pela facilidade de cultivo e a abundância de proteínas.

E na cozinha ela é bem versátil. Dá pra fazer simplesinha refogada no alho, na sopa, em recheio de torta ou até comer crua.

Vou deixar por aqui minha receita de canjiquinha vegetariana com ora-pro-nobis, um prato que vale muito a pena tentar:

DSC_0094.JPG

CANJIQUINHA VEGETARIANA COM ORA-PRO-NOBIS (para 2 pessoas)

6-8 cebolas miúdas
1 colher de sopa de manteiga
2 cenouras médias
1/2 copo de quirera de milho amarelo bem miúda (canjiquinha)
1 maço grande de ora-pro-nobis
100g de queijo provolone
sal e salsinha à gosto

Comece refogando as cebolas inteiras e as cenouras cortadas em rodelas na manteiga em fogo baixo. Se tiver um pouco de vinho branco, jogue um pouco para soltar o fundo escuro que se forma na panela (deglaçar). Essa etapa, no entanto, não é indispensável. Em seguida, acrescente a quirera de milho e coloque o triplo de água, como se fosse fazer uma sopa. Fique atento: a quirera vai cozinhar por cerca de 30-40 minutos, absorvendo bastante água e pode ser que você precise colocar mais água nesse intervalo. A consistência final deve se parecer com a de uma sopa bem grossa. Prove o milho. Quando estiver macio, acrescente as folhas da ora-pro-nobis inteiras e o queijo provolone. Salgue, jogue um pouco de salsinha, desligue e sirva. É um prato único, completo e rústico; não precisa de acompanhamento.

 

 

 

 

3 respostas para “Uma PANC pra se ter em casa: ora-pro-nobis”

  1. Bom dia, Carla! Sou gaúcha, vivi 26 anos no estado de São Paulo, tempo dividido entre interior e capital. Assim, aprendi muito sobre a forma de as pessoas se alimentarem na região sudeste.Amo os “matos”!! Em 2016 ganhei um graveto de ora-pro-nóbis da Mônica Rangel. Cuidei dele até voltar a viver em uma casa. ela está feliz aqui em Florianópolis, tanto quanto eu, meu marido e as duas gatas. Ah! as orquídeas também! Gostaria de te contar minha “receitinha” de ora-pro-nóbis: coloco sobre o carreteiro, antes de ele secar totalmente, fica delicioso! Também faço isto num risoto de vegetais e na galinhada. Sobra galinha e falta ora-pro-nóbis! Gostei do teu blog, à partir de hoje vou te acompanhar. Meu primeiro contato com Pancs foi em uma aula da Neide Rigo, acho que em 2010. As pessoas tem medo de comer na minha casa, por causa dos “matos” que consumimos. Rs. Até

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