Tempero PANC: erva baleeira

As vezes você pode ter a impressão que PANC é só um amontoado de verduras diferentes, mas isso não é verdade. A erva baleeira é um exemplo muito interessante de uma PANC que é tempero.

Quando a gente esfrega a erva, o cheiro sobe instantaneamente e é bem forte. Lembra o curry que a gente compra por aí nas lojas de tempero. Eu encontro ela fresca pra vender na feira aqui onde moro no interior do Paraná com o nome de caldo de galinha, e é uma comparação razoável porque lembra um pouco também o cheiro dos cubos industrializados.

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Como você pode ver ela é uma plantinha simpática, e é nativa e brasileiríssima, parte do bioma da Mata Atlântica. As folhas são levemente ásperas, mas quando a cozinhamos rapidamente ficam macias. No topo dos ramos se forma um pendão com flores brancas, como dá pra se ver aí na foto. Essas flores depois se transforma em frutinhos vermelhos redondos graciosos, o que torna a erva baleeira facilmente numa erva ornamental. Ela é mais comum de se encontrar no litoral entre os estados de São Paulo e Santa Catarina. Porém, dá pra encontrar a erva baleeira seca em casas que vendem ervas e chás, ou em forma de óleo essencial, pois ela é comercializada com fins medicinais . Há pesquisa sendo desenvolvida na UNICAMP para também transformá-la em pomada pois já são reconhecidos os efeitos analgésicos e antiinflamatórios da ervinha.

Apesar de tanto se saber sobre a planta, sobre o uso dela na alimentação quase não se acha nada. E é uma pena, porque ela é segura e deliciosa!

Dá pra usar a erva seca que se vende pra chá assim como você usaria orégano seco. Nesse caso, é preciso prestar atenção antes de comprar se no pacotinho é vendido somente folhas ou se apresenta galhos. Os galhos, é claro, não são muito adequados para fins culinários. Outra opção é tentar encontrar ela à venda em viveiros de mudas. Por conta das propriedades medicinais reconhecidas, não é uma tarefa impossível encontrá-la.

É bom você saber que ela não perde o gosto durante o cozimento como outras ervas: muito pelo contrário. É interessante deixar no fogo um tempo para que ela solte o aroma. Meu uso favorito é acrescentar ela picadinha no feijão na hora de refogá-lo. Colocar no feijão é aquele tipo de uso bem cotidiano, que dá um sabor todo especial pra um prato (quase) diário. Pra quem quiser se aventurar num prato em que o sabor da erva baleeira tem um destaque especial, minha sugestão é fazer risoto de abóbora moranga, que ganha sempre um sabor adocicado, e acrescentar a erva baleeira em quantidade pra uma combinação imperdível.

E claro, se ainda existe tão pouco sendo falado de pratos temperados com ela, o negócio é testar o que nossa intuição mandar.

 

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