Pepino-melancia, uma PANC rústica que produz pequenos bibelôs

Fiquei conhecendo o pepino-melancia porque ele estava dando sopa na cerquinha do lote que comprei pra construir minha casa. Ele estava por lá, pendurado, gracioso, com certeza sem ninguém ter semeado, que nem o alecrim dourado da música.

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Gracioso, pendurado na cerca

Esse pepino (Melothria cucumis Vell.) leva esse nome por conta da casca rajadinha, que lembra realmente a melancia. Pepinos e melancias, aliás, são ambos da mesma família das cucurbitaceaes, e este aqui obviamente é parente deles.

Ele é uma planta alimentícia não convencional (PANC) rústica, espontânea, que dá quase sempre assim como o encontrei, perdido em áreas de mata, quintais e cercas. É encontrado em grande parte do país: do Rio Grande do Sul até o sul da Bahia. A área mais comum de ocorrência, no entanto, é nesse pedaço mesmo onde moro: no sudoeste do paraná, oeste catarinense, e oeste do Rio Grande do Sul, se estendendo inclusive pra parte da Argentina e Paraguai. No pedaço dos países vizinhos, o pepino melancia recebe um nome espirituosíssimo, que me faz rir um bocado: melancia de rato.

O gosto desse pepino é muito semelhante com o do pepino comum, porém a casca é ligeiramente mais grossa. Por conta do tamanho, que fica sempre mini, é muito apreciado pra fazer conservas: basta colocar os pepinos em salmoura (com cerca de 10% de sal) e esperar maturar por uma semana. A casca mais espessa ajuda que a conserva sempre saia crocante, o que nem sempre é simples de ser feito com pepinos comuns.

Uma curiosidade que percebi experimentando os pepinos foi quando cortados longitudinalmente (“de comprido”), eles exalam um cheiro diferente que lembra o melão. Por conta desse aroma, quando preparo pratos dou preferência a esse corte. Neste caso, servir cru apenas temperado com azeite e sal costuma ser uma boa pedida, pois o aroma é suficientemente atraente pra que você não precise de muito malabarismo.

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Vai servir pepinos melancia? Prefira cortar assim pois exalam mais aroma. E prefira servir cortado, pois a casca mais dura que o pepino comum não favorece que sejam servidos inteiros.

Quanto ao cultivo, o pepino melancia parece preferir áreas de pleno sol, mas também aceita bem viver em meia sombra – estes, inclusive, estão na cerca embaixo de uma árvore e produzem bem. Aqui eles brotam espontaneamente assim que termina o inverno e as geadas (por volta de agosto) e os frutos são encontrados entre dezembro e fevereiro. A planta solta flores minúsculas, amarelas, e em poucos dias os frutos se desenvolvem.

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A florada do pepino-melancia

A propagação pode ser feita por sementes. Elas se parecem muito com as sementes do pepino comum, são apenas um pouco menores e mais achatadas. Aqui tem outras informações sobre cultivo do pepino-melancia, mas pelas fotos a gente vê que é um pepino mini semelhante, também nativo e da mesma área de ocorrência, mas não o mesmo. De toda forma, é provável que esse também se beneficie do mesmo tipo de cuidado.

***

Aproveitei que encontrei no lote alguns pepinos já secos, com a casca bem fininha e as sementes vazando dos frutos e andei enviando essas sementes a alguns amigos do twitter. Alguns vão tentar o cultivo em vasos grandes, na área urbana, e outros em zonas que não são as de ocorrência natural. São experiências que a gente não acha muita informação sobre, e por isso estou curiosa pra ver o que eles me contam sobre o pepino melancia crescendo por aí. Quando tiver notícias, eu volto pra contar.

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