“Dente” de alho poró

Você já se perguntou porque falamos alho poró e não “cebola poró”, já que é mais fácil usar alho poró no lugar da cebola do que do alho?
Bom, basicamente porque esse dente gigante é um dente do alho poró. O alho poró se parece mesmo com um alho.
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“Dente” do alho poró sendo segurado pela minha mão, pra ter uma ideia de como é grande
Quando aquele caule comprido do alho poró fica muito tempo na terra, ele solta em volta dele esses dentes grudadinhos no caule, na parte subterrânea. Isso é a “semente” do alho poró. Uma mudinha nova.
Se você plantar esse dente gigante da foto, vem outro alho poró. E é assim que eles se multiplicam.
A parte comumente comercializada do alho poró é o caule. Mas a planta inteira é comestível: as flores, lindíssimas, são ótimas pra aromatizar e finalizar pratos; as folhas embora sejam mais duras podem ser cortadas e refogadas ou serem cozidas em água e em seguida desprezadas, virando um ótimo caldo; e os bulbos, que são esses dentes, também podem ser usados como se usaria o bulbo do alho. E explica demais o porquê do nome da planta, coisa que as vezes a gente nem se pergunta.
Flor do alho poró
A flor do alho poró, lindíssima, outra parte também comestível dessa planta. Falo sobre ela aqui, e em outro post ensino a fazer uma ciabatta recheada com ela
Eles podem ser comidos frescos (acontece as vezes de vir um pequeno dente grudado num caule de alho poró, mas é raro). E podem ser secos antes de comer, como esses que estão nas fotos. Ele tem uma casquinha fina em volta, como um alho, e o gosto se parece com ele também, porém é um pouco mais sutil e delicado, e quando refogado ele tem um pouco mais de umidade e amido e por isso tende a grudar – é preciso atenção pra se fazer.
É raro ser encontrar pra vender primeiramente porque é a forma de reprodução da planta – pro agricultor isso é valioso. Outra razão é que as coisas que chegam até nós são sempre muito pouco biodiversas, tanto no número de especies quanto na forma que consumimos e aproveitamos os alimentos. E a gente para pouco pra pensar no assunto no meio desse redemoinho confuso chamado vida capitalista.
O supermercado cheio de caixinhas coloridas mascara pra caramba o quanto a gente conhece e tem um acesso muito restrito às coisas.
Mas tem sempre umas pistas. O que eu acho fantástico é que se perguntar pelo nome das coisas as vezes é suficiente pra descobrir um caminho de percepção. É tão simples quanto se perguntar o que o alho poró tem a ver com o alho. Que nem criança.

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